sábado, 19 de novembro de 2011

contra a racialização do Brasil: Sobre cotas raciais e escravidão: uma explicação necessária.

A abordagem de Roberta Fragoso com suas pobres e insustentáveis teses.
A senhora Roberta não precisaria recorrer a gens oou teses científicas para defender o seu ponto de vista, já que é um direito de todos lutar pela preservação do nicho próprio, no caso, o do poder do qual ela participa. A defesa que ela faz é pelo menos justa para com os seus iguais e aí nada a criticar porque o egoismo ou egocentrismo nos torna cegos e, às vezes, obtusos a ponto de tergiversar sobre questões cristalinas como o preconceito racial brasileiro que alija do processo social e do empoderamento o igual de pele negra. Negar o destratamento do negro como ser igual é querer tapar o sol com peneira e impingir que entendamos que as diferenças sociais não leva em consideração em grandiosíssima frequência o fato do elemento ser negro. Talvez pro não ter idade para haver presenciado e nem tempo a perder com leituras que a demonstrem essa realidade, ela não saiba que até bem pouco tempo os negros não frequentavam clubes sociais da elite nem entravam em elevadores sociais; não levar em conta o olhar do policial ou até mesmo do vigilante sobre o homem de pele negra; o aconchego da carteira ao corpo e olhar preocupado quando um negro se aproxima; talvez também não tenha ela tido tempo ou interesse de, ao invés de buscar a genética - que ninguém que seja sério discute como viés que ofereça forma de combate ao racismo e ao cinismo preconceituoso instalado na sociedade brasileira pelo estamento de poder constituído ao qual ela luta para pertencer, com todo direito. Não precisamos ir longe para percebermos as suas companhias sociais, principalmente no que tange ao combate programático contra as cotas universitárias. Foi aluno de Gilmar Mendes, é advogada do DEM e no lançamento de um determinado livro não se avergonhou de posar ao lado de um grupo de brancos para afirmar que não tinha racismo no Brasil porque a raça é humana, justamente para falar de discriminação quando o negro foi discriminado não podendo participar do debate nem da mesa formada. O importante daquele momento foi ela ter afirmado que podemos ter os nossos preconceitos mas não manifestarmos em função das penas da lei. E é verdade! Mas quem tem esse conceito intrincado não vai deixar de usar os meios subliminares para fazer valer o seu sentimento nas oportunidades possíveis. E assim foi feito no lançamento do livro, onde a regra foi estabelecida pelo grupo anti-cotas universitárias para dar conotações de legitimidade ao golpe que desfechariam contra os interesses negros.
Então, não devemos racializar o Brasil, segundo ela em seu artigo, na contramão da história porque isso já está feito e desnecessário o confronto pois todos vivemos uma sociedade tranquila e fraterna com a segregação que institucionalizaram no silêncio das noites de conquistas da hegemonia atual tendo o povo negro pagando a conta que ela se diz não devedora, conquanto usufrua do sacrifício do negro na produção da riqueza que ela também desfruta e agora não quer pagar o "devido imposto" sonegando mais um tributo como a sonegação da verdade que insiste em propagar.
Nenhum de nós tem dúvida ou questiona a sua natureza humana. mas ela ainda não percebeu o foco da discussão porque ungida por uma prática maniqueísta dos seus pares que não agem publicamente, para não serem pilhados em crime, mas que agem nos porões desocupados de suas consciências para estabelecerem um novo marco regulatório do quanto o povo negro pode ou não avançar na direção dos seus direitos humanos, mantendo-os presos aos grilhões das correntes modernas do escravagismo também moderno.
Se a RF ao menos pensasse que as cotas não tiram dela a oportunidade qualquer mas concede a outros oportunidade qualquer, por uma simples análise de conteúdo, talvez fosse mais condescendente com a nossa busca de povo negro e coerente com a maioria da opinião pública que, com visão ampla da realidade - conceito de pessoa normal - e saísse dessa cristalização de conceito de raça humana como um apêndice inflamado na discussão de fundo.
O povo negro não precisa de permissão para se conceituar e se admitir como humano, já que é a origem da humanidade, também negada pelos reacionários de plantão, quase fascistas.
Hitller tinha a sua visão de povo e provocou o holocausto. Os seus seguidores, ainda nos dias atuais, o consagram e só não fazem a mesma atrocidade em grandes números pelo império da lei. Mas eles pensam também na raça ariana como a única possível de existir, embora sendo tenham a consciência de que a raça é humana. E, mesmo essa raça humana sofre com a distorção de caráter de muitos dos humanos. E essas distorções estão presentes na atitudes do poder de decisão que o povo negro combate para que possa ter acesso pleno aos direitos. Estão presentes na educação quando a educação pública que deveria ser a universal e única foi assaltada pela educação privada que começa a exclusão a partir do valor da mensalidade que não cabe no bolso do povo negro (raça humana). É esse povo que estuda na escola pública desqualificada, talvez, para valorizar a escola privada que vai competir com os alunos da escola privada nas universidades públicas em total desvantagem. As cotas universitárias são consequência e não causa. Consequência de um descaso e despreocupação com o povo negro que vive à míngua e na exclusão. Seria muito bom que a consciência da raça humana não subjugasse ninguém pela cor de sua pele. E isso está provado na própria adoção de crianças. As de pele preta dormitam nos orfanatos tendo que a procura é por criança de pele clara. Aqui cai o mito de cotas sociais que a procuradora não quer admitir por questão de conteúdo programático do partido que representa.
Cai também um outro mito por ela defendido: escola pública de qualidade. Naturalmente por estar com as vistas e ouvidos cerrados não vê nem ouve que estamos discutindo cotas universitárias e não cotas para jardim de infância, pré-natal ou primeiro ciclo do curso seriado até a universidade. É um discurso que nos remete a pensar se ela quer que todos os negros em idade universitária devam voltar a útero materno e se rematricular na escola pública de qualidade que, sinceramente, não chega ao meu conhecimento como chega esse texto dela, qualquer iniciativa fora das discussões das cotas para prover a escola pública de qualidade, cuja iniciativa não teria qualquer imbricamento com as cotas universitárias tão combatidas pelo ela e o seu partido neoliberal.
Centro minha referência na RF porque a vejo como jovem que pode mudar o seu olhar e tratar de causa que estabilizem uma relação humana dando-lhe notoriedade maior que a obtida com o combate ás cotas universitárias, já que antes, embora morador do DF há mais de trinta anos, não tinha ouvido falar em seu nome.
E o faço também pela minha cota de amor ao próximo independente do quanto este próximo seja irreverente minha luta embalado pelo ópio do poder e do pragmatismo: os contra normalmente têm mais chances de notoriedade do que os a favor de qualquer causa. Prova disso é que enquanto muitos labutam a favor do bem-estar de tantos, o que aparece nas mídia é a criminalidade, as barbáries, o antagonismo.
Então ser "Contra a racialização do Brasil" é ser a favor da manutenção do status de racialização que atinge frontalmente o povo negro em suas perspectivas de vida digna e equânime.
A quem discorda dessa assertiva,ficam aqui algumas perguntas: qual a cor da diplomacia brasileira (humana)?; qual a cor do oficialato brasileiro (humano)?, qual a cor da justiça brasileira (humana)?, qual a cor do poder brasileiro (humano)? qual a cor da procuradoria brasileira (humana)? qual a cor da riqueza brasileira (humana)? qual a cor da universidade brasileira (humana)? qual a cor da mídia brasileira ((humana)? qual a cor do gueto brasileiro (humana)?
qual a cor da pobreza brasileira (humana)? qual a cor dos escravos brasileiros (humanos) geradores de toda essa riqueza nacional porque os índios (humanos) são tutelados?, qual a cor das mulheres brasileiras (humanas)em postos importantes? qual a cor do seu amor (humano) na escolha do companheiro ou companheira, sendo você de pele branca?
Pode ser objetiva na resposta senhora RF. Gostaria de receber a sua resposta.
Fraternal e docemente.

NEGRODEFINIÇÃO

Aquele que não tem conceitos e/ou preconceitos porque é definição de Deus humanamente falando, e escória tentada e não conseguida pelo poder dominante.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

A intolerância religiosa tem levado mais gente para o mundo inferior do que para o "céu". É inadmissível que qualquer religião Cristã ou para o amor, ainda que não seja cristã, se posicione com sectarismo estabelecendo um Deus-propriedade ou Cristo-propriedade desse ou daquele segmento religioso. As religiões de matrizes africanas tem sofrido com esse sectarismo e olhar enviesado sobre o Amor Divinal quando se estabelece como coisa do anjo caído os ritos consagrados nesse segmento religioso de amor verdadeiro também, criticado por má-fé ou ignorância,s endo que este segundo sentimento pode ser corrigido com conhecimento de causa. Porém a má-fé, é mais difícil porque esconde uma enganação dogmática de manutenção do rebanho de ovelhas na ignorância a benefícios dos "senhores pastores" religiosos. Quem prega o amor de verdade, tolera, entende, compreende e age como Jesus, o Cristo, que nunca apontou o dedo nem apedrejou ninguém. Ao contrário: sempre acolheu e nunca perguntou o credo do acolhido mas, sim, o seu propósito regenerador e deixou para nós como mensagem: "atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado." Todos estamos em mundo de dificuldades e juntos, neste momento, para nos ajudarmos mútua e reciprocamente. Portanto, não cabe a qualquer religioso bem intencionado julgar esse ou aquele credo ou religião pois estará perdendo um enorme tempo que poderia ser utilizado para falar das virtudes do seu ministério. A cada um, segundo as suas obras. Tenho observado igrejas falando mais do demônio do que de Deus, na proporção de três para um, talvez. Outras criticam os rituais da umbanda, por exemplo, mas vendem arcas douradas, areia de Israel, rosa amarela que são verdadeiros amuletos, vendidos, negociados que julgam ser a fonte dos milagres e da salvação mas criticam os amuletos das religiões de matriz africana. Seria isso um preconceito instalado nas igrejas do "senhor" ou isso é discriminação de Deus que só é obtida como mensagem do "auto" nas igrejas renovadas? Talvez por isso ser tão confuso é que o Deus pregado nesses ambientes vibre muito em torno do dinheiro e da conquista material esquecendo-se que o Cristo de Amor nos disse que o reino Dele não é deste mundo, significando dizer que aqui nesse remanso estamos para nos retificar moralmente, espiritualmente e não para juntar riqueza como tem sido a proposta da neo-religião, via de regra. Precisamos de mais respeito para com as religiões pois não sabemos que, as de matriz africana, se preocupem com o que fazem as demais porque aproveitam o tempo que têm para sugerir que a humanidade se ame.

Diante desse comentário, eu gostaria que alguém me informasse se o Evangelho do Cristo nos enseja sermos religiosos ou amoráveis, amorosos uns com os outros. No meus parcos conhecimentos, adianto que entendo que o que prega o Evangelho de Jesus é o seguinte: faça do coração o seu templo de amor. Quanto ao mais... não é de Deus nem do Cristo. Principalmente se se tratar do ódio ou perseguição religiosa de qualquer natureza.

Não nos esqueçamos que na dimensão maior, somos todos irmãos. É isso que as igrejas de boa-fé devem transmitir aos seus fiéis.

Adesivo em parabrisa de veículo: Este é do Senhor Jesus! Porém o motorista é incapaz de permitir que Jesus dê uma carona ao andarilho com medo de ser assaltado. Então fica aqui uma reflexão: nesse caso ou Jesus é egoísta ou um covarde de pouca fé. Que tal, heim!!! Ou será um lobby junto a Jesus para obter mais favores e benesses? É ruim, heim?!...

Saudações kardequianas baseadas no Evangelho de Jesus Cristo.

Joel de Oliveira

Brasília/DF

domingo, 5 de junho de 2011

pelo direito de aprender

05.06.11 às 00h37
Pelo direito de aprender
Cotas e programas de apoio derrubam mitos e levam educação e futuro a milhares de jovens. C e D já são maioria na universidade
POR ÉLCIO BRAGA
Rio - A resposta simples e desanimadora mudou destinos. Início de 1990, salão da Igreja da Matriz, em São João de Meriti: cem jovens negros e carentes falavam sobre a fé. Por curiosidade, frei David Raimundo dos Santos perguntou quantos queriam fazer faculdade. "Apenas dois irmãos confessaram a intenção, obrigados pela mãe, agraciada por bolsas na instituição em que trabalhava como servente", lembra.
O episódio levou à criação da Educafro, influente entidade empenhada na democratização do acesso à faculdade pública. A ideia tornou o Rio mais justo e se espalhou pelo Brasil. Nos últimos cinco anos, mais negros entraram na universidade do que em todos os séculos anteriores somados.

Luana Castro: “Sem a cota, meu futuro seria incerto. Passei para Direito. Meu pai e minha mãe choraram muito” Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Multidão de carentes passou a enxergar brecha no muro da faculdade. Política de cotas, pré-vestibulares comunitários e Programa Universidade para Todos (ProUni), do Governo Federal, criaram novo cenário. As classes C e D se tornaram maioria na universidade: 72,4%. “Diziam que eu, merendeira, filha de lixeiro, não podia fazer faculdade”, conta Therezinha Mello, 71, formada há seis em Serviço Social.
Contrários à ideia argumentavam que cotistas não conseguiriam acompanhar a turma. Pesquisa entre 2003 e 2006 mostrou desempenho do cotista superior em 29 dos 48 cursos na UERJ. "A minha grande alegria é que as cotas derrubaram a máscara das universidades públicas brasileiras", diz Frei David.

Fonte: Jornal O Dia - RJ

PERGUNTAR OFENDE?

Perguntar ofende?
Gostaria que alguém me respondesse.
Quando o presidente Lula bebia seus drinques era chamado de cachaceiro de forma impiedosa, muito embora se valesse dos seus direitos e de bebidas legalizadas e normalmente usadaS por muitos dos críticos burgueses. A candidata Dilma, hoje presidenta, foi altamente criticada por inferências a ela como defensora do aborto, sendo verdadeiramente satanizada. A mídia não perdoou!!! Agora vem o ex FHC defendendo a discriminalização da maconha como se bandeira de salvação nacional. A pergunta é a seguinte: para aqueles mesmos burgueses será ele um maconheiro ou traficante, por isso? Com a palavra a burguesia que tanto alfinetou e penalizou os dois primeiros.
Joel de Oliveira

Uma reflexão sobre as cotas nas universidades

Brasília, 27 de dezembro de 2008


Uma reflexão sobre as cotas nas universidades.

Acho de um cinismo exagerado os pronunciamentos contras as cotas para negros nas universidades. Não faltam aqueles que vinculem o assunto à pobreza, aquela mesma pobreza que não passou pela imposição do escravagismo nem pela discriminação pela cor da pele. Até recentemente os negros não podiam usar elevadores sociais nem freqüentar uma salão de jantar, um restaurante ou um baile. Até mesmo clubes de futebol faziam restrições à cor da pele. Então não estamos querendo nos nivelar à pobreza mais, sim, ao direito universal do ensino em igualdade de condições. Os pobres estão nos orfanatos mas os adotados são, sempre, os de pele clara e olhos azuis, verdes, amarelos, desde que sejam brancos. Será que os críticos das cotas não vêem isso? Como remeter a questão para o campo da pobreza? Pobreza se resolve com dinheiro. Preconceito racial (ou não, dêem o nome que quiserem!) se resolve com acesso à informação, à visibilidade, à universidade. É tão incoerente a posição dos críticos que se esquecem eles que as universidades públicas, tais como as escolas básicas, são nichos acolhedores dos menos favorecidos aí, sim, incluídos os pobres que, aí também se brancos, são "melhores"; são aceitos com mais carinho; são colocados até no colo das professoras!!!.
Então as cotas para negros não podem ser confundidas com pobreza mas com a objetiva discriminação pela cor da pele.
Espero que ao colocarem a causa do negro junto com a da pobreza não estejam querendo perpetrar mais uma maldade subliminar no sentido de que o lugar do negro é na pobreza eterna!!! Não é questão cientificista. É questão de observação empírica mesmo da realidade. Quem duvidar disso que visite os gabinetes de parlamentares, das empresas privadas, dos dirigentes públicos que constatará que nesses espaços, os negros e negras não se fazem presentes mesmo que seja para recepcionista ou secretária, cujo padrão esteriotipado de beleza não diz respeito às detentoras da pele negra, ainda que sejam, as ocupantes dos cargos e posições, pobres com a "atenuante" da pele clara e, de preferência de bonito corpo, o que bem demonstra a concepção vigente do que vem a ser um perfil profissional...
E por que isto acontece? Porque os detentores do poder são brancos e não vão abrir mão de colocar os seus amigos e parentes brancos a benefício de um negro ou negra que, aliás, não têm nem a quem pedir porque os "seus iguais" estão na mesma situação de penúria. A propósito o STF determinou a demissão de parentes nos gabinetes públicos. Vamso conferir quantos negros se enquadram nesses casos? A conclusão é simples, não é. Então, está na hora de tirar as máscaras e deixar de transferir o problema racial para os negros pelo simples fato de quererem estes o direito constitucional de igualdade de acesso às universidades. Esses mesmos críticos não se atém às cotas econômicas - reais, porém não institucionalizadas formalmente - que permitem que o cidadão aquinhoado financeiramente freqüente um curso preparatório cariíssimo e vá disputar vaga nas universidades públicas "em igualdade de condições" com os miseráveis alunos das escolas públicas miseráveis, destruídas pelo interesse econômico dos donos de escolas que fazem ou passam a fazer a política pública de ensino e educação.
Ora, se as cotas não resolvem, o que resolve então? Onde estão as soluções que nunca foram apresentadas nem mesmo dentro deste debate de cotas? Onde estão os antropólogos e doutores resistentes às cotas que não observam o quadro geral de penúria do povo negro nem oferece alternativa de solução eficaz? Quando as cotas forem soterradas - estão caminhando para isso as discussões - todos recolherão seus flaps e silenciarão como aeronave no pátio de suas satisfações atendidas. O fato é que as cotas são como o império da lei que não precisaria existir se todos cumprissem com o seu dever. Os poderosos estão de costas viradas para o problema porque é cômodo não se ocuparem das dificuldades alheias que "não lhes pertence" - mesmo que sejam representantes do povo - mas têm que estar atentos para não verem diminuídos o quinhão que julgam lhes caber na divisão do bolo social e no pagamento do débito para com aquele negro que um dia foi enjaulado em um navio negreiro para produzir riquezas nas terras brasileiras, sob os auspícios de chibatadas,humilhações e mutilações físicas e morais (e aí não havia o quesito raça porque negro não era gente!!! E continua não sendo, talvez para muitos.)e viver na miséria eterna como verdadeiros "párias do estigma branco" como se nada merecesse pelo sacrifício a que fora submetido. É, sim, um resgate da dignidade da raça negra tal como aqui chegou e se mantém pela visão social. Se antes existia raça para ser sacrificada, porque agora não existe mais? Então vamos rever a história e ao revê-la daremos de cara com a dura realidade de que a supremacia branca deste nosso País é quem fez e faz a implementação do racismo em nossas terras brasileiras. Não são as nossas cotas...
Portanto, é hora de se ter vergonha na cara e discutir as cotas como elas merecem ser discutidas: com respeito, com conhecimento de causa, sem interesse pessoal ou subliminar inconfessável, sem cooptação de idéias de potenciais negros ou negras revivenscendo o escravagismo das migalhas e sem medo de se descobrir o potencial intelectual da negritude que não quer nada além do que lhe é devido, sem pensar em inversão dos papéis até então vividos por eles. O negro quer igualdade e fraternidade entre todos, mas é preciso a mudança dos perfis humanos e antropológicos vigentes de alguns profissionais do ramo.
Vejam, senhoras e senhores, as bancas de advogados, os plenários de discussões de questões públicas, as fotos oficiais, os quadros dos oficiais generais nos desfiles de 7 de setembro, os personagens de novelas e apresentadores de programas de TV, Palestrantes de qualquer jaez e identifiquem a cor deste "Brasil miscigenado". Se restar dúvida, por questão de miopia da conveniência, visite os presídios e observe o uso das algemas policiais. E se continuar existindo dúvida, peça a um policial para identificar o bandido que ele indicará um negro, ainda que este tenha sido a vítima.
Cotas são meio e não fim!
O tempo foi suficiente para que a mudança viesse pelos meios até então disponíveis. Se não vieram; se não promoveram... cotas neles!!!
Axé!!!
Joel de Oliveira
Brasília/DF

Obs:
Em um Parlamento em que uma parlamentar se escandaliza por ser chamada de feia e se sente ofendida, repudiar as cotas é no mínimo hilário. Mais hilário ainda quando alguns pseudo-negros(?) se manifestam contra as cotas por não serem solução e por "diminuírem(?)" os negros pois estes não sabem o que é somar nem diminuir. Estes ganham espaço na mídia. Por quê será???
Mirian Leitão,
Li com atenção o seu texto abaixo e fiquei preocupado que você pudesse estar sonolenta e imaginando coisas, que são da sua cabeça, quando o escrevia, tamanha a distância entre o relato e o posicionamento dos plantonistas anticotas universitárias, pro exemplo. Esses sempre afirmam que a raça é HUMANA quando precisam defender o posicionamento contra aquilo que viabiliza e viabilizará o negro na universidade: as ações afirmativas. Eles sempre dizem a pulmões abertos que só existe uma raça: a humana. E aí o seu texto de me deixa numa enorme dúvida. Ou Mírian pirou ou eles são muito canastrões e cafajestes, para não dizer sem-vergonhas. Ora, se a raça única é humana, e é, porque então somente os negros foram tratados dessa forma? Lembrei-me neste momento que participei do documentário RAÇA HUMANA esbravejando quanto a postura do autor de um determinado livro que convidou a sociedade para o lançamento do livro e debate mas não deixou ninguém da platéia se manifestar porque o grupo de pretos que lá se encontrava foi visto como fascista, mais um estigma para os “criminalizar” pelo simples fato de ser um grupo organizado que queria falar para evitar a legitimação de um posicionamento orquestrado pelo autor do livro e seus asseclas que, agora imagino, sabia da intenção da TV Câmara em realizar o documentário e seria bom o silêncio dos covardes para inferirem que todos estavam em consonância com aquele absurdo lançamento de livro na livraria cultura. Feita esta reflexão fico com o seu texto por entender que a segunda opção é a tentativa de manutenção do status quo dos privilegiados financeiros, cujo status conta com o beneplácito de alguns parlamentares que ombrearam o autor do livro naquela oportunidade e que, felizmente, fiz com que eles observassem que o povo negro descende de escravos mas não mais se submete a tal regime miserável. Como abomino a inverdade, digo que o seu texto é um primor histórico em poucas linhas que poderá advertir os incautos que lutam contra as cotas e oportunidades de visibilidade do povo negro que não seja na “exumação” de corpos, ainda que movida pelo acaso. A minha ironia faz parte da nossa estratégia de abordagem para desespero deles. Este foi mais um “trabalho” do Abdias Nascimento a favor da causa do povo negro, ainda que post mortem.
Obrigado Mirian Leitão! Você está cada vez mais lúcida.
Vamos em frente!!!
Joel de Oliveira
Brasília/DF


Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel -
5.6.2011 6h00m
COLUNA NO GLOBO
Tropeço na História
Foi no antigo Cais do Valongo, perto das pedras que foram descobertas recentemente nas escavações para a recuperação do Centro do Rio, a homenagem a Abdias Nascimento, sete dias após a sua morte. No Valongo os escravos desembarcavam e eram depositados nos armazéns que ficavam na atual Rua Camerino para serem pesados, preparados e vendidos.
O lugar impõe respeito. É impossível não sentir o peso dos dramas vividos ali. Que a cidade possa guardar bem os pontos que estavam encobertos pela nossa dificuldade de olhar o passado com sinceridade e reflexão. Lá, líderes de religiões diferentes misturaram palavras e evocações, junto com as de autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.
O ministro chegou com bengala e sinais de que seu problema de coluna se agrava. Avisou que enfrentará a limitação o mais breve possível. Que consiga. Misturado aos amigos e admiradores de Abdias foi chamado para falar. O ministro disse que Abdias era único. De fato, é difícil pensar em substituto. Aos 97 anos ele carregava a força da coerência com que combateu o racismo e o dom de unir pessoas com pensamentos diferentes. Abdias trafegava por tantas áreas da cultura e do pensamento que é difícil defini-lo: ele foi jornalista, autor de teatro, pensador, cineasta, político, militante da causa negra.
O cais do Valongo fala por si, e a dificuldade de vê-lo, também. As pedras que reapareceram nas escavações foram encontradas por acaso. O mesmo acaso que reencontrou o cemitério dos pretos novos na Gamboa, onde eram jogados os corpos ou moribundos que não tinham suportado a longa e dolorosa travessia do mar. O que intriga é esse tropeço na História. Ela deveria ser buscada e reverenciada como parte do entendimento do Brasil sobre si mesmo e não ter que submergir aos pedaços numa obra no porto, ou numa reforma de uma casa particular como a que permitiu o encontro de pedaços do cemitério. Foram 350 anos os que o país viveu sob a escravidão. Essa iniquidade ocupou a maior parte dos 511 anos desde a chegada dos portugueses. Felizmente estuda-se mais hoje esse período que foi soterrado de propósito. Não ver é mais confortável, mas o melhor é sempre admitir, entender e superar.
Anoitecia no sítio arqueológico do Valongo e aquele grupo pequeno de pessoas tentava ouvir as palavras de homenagem a Abdias no meio do barulho do rush do Centro. Elisa Larkin, a viúva, havia me dito: aqui não era o melhor lugar? Era.
Desde que Mary Karasch, a historiadora americana, escreveu “A vida dos Escravos no Rio de Janeiro (1808-1850)”, um livro seminal, todos os que se interessam pelo tema, e os jovens historiadores, aprenderam que há vários caminhos que levam às informações sobre o que se passou no Centro velho do Rio. A cidade era porta de entrada de escravos que ficavam nas cidades e dos que iam trabalhar nas plantações de café e cana-de-açúcar ou para as minas de Minas Gerais. O Valongo era um cais de desembarque e o maior mercado de escravos do Brasil. Até 1830 eles eram desembarcados à luz do dia e colocados nos depósitos para ganhar algum peso para serem vendidos. Depois de 1830, com o tráfico proibido para inglês ver, eles eram tirados à noite furtivamente dos navios e os depósitos deixaram de ter janela, o que piorou muito. O cálculo de Karasch é que um milhão de africanos entraram pelo Rio.
O que a cidade deve fazer com esse pedaço redescoberto do cais é preservá-lo para contar essa história. Há hoje estudos valiosos. Há relatos de viajantes que se impressionavam pelas cenas descritas. Um deles, C. Brand, foi ao mercado do Valongo em 1827 e descreve assim o que viu: “A primeira loja de carne em que entramos continha cerca de 300 crianças de ambos os sexos: o mais velho poderia ter 12 ou 13 anos e o mais novo não mais de seis ou sete anos.”
Durante muito tempo o Brasil não estudou essa página da História porque criou-se o mito de que Rui Barbosa teria queimado todos os documentos. Como se sabe hoje, ele queimou os documentos tributários diante da enorme pressão dos escravistas para serem indenizados. Há inúmeras outras pistas pelas quais os historiadores estão escavando esse passado. Karasch descobriu muitas informações nos registros da Santa Casa de Misericórdia. Os donos de escravos mandavam para lá os que estavam morrendo para não ter despesa com o funeral. A Santa Casa registrava idade, de onde tinham vindo, causa da morte. Morriam principalmente de tuberculose. Há outras fontes como os arquivos Nacional, da Cidade e do Itamaraty, registros policiais, comerciais, os jornais da época, os relatos de viajantes. A inglesa Maria Graham, em 1821, encantou-se com a beleza do Rio na chegada à baía: “A cena mais encantadora que a imaginação pode conceber.” No Valongo, relata que fez um gesto de carinho aos jovens negros e eles retribuíram com sorrisos. Há inúmeros relatos dos viajantes, preciosas reportagens. A História vai retornando.
De manhã eu tinha ido à Casa de Rui Barbosa. Lá andei com temor reverencial pela multidão de livros organizados e li com admiração as frases de uma exposição. Numa delas, Rui indeferia o pedido em 1890 dos ex-donos de escravos de que se criasse um banco para indenizá-los pelo prejuízo com a abolição. “Mais justo seria e melhor se consultaria o sentimento nacional se se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos” (veja em meu blog o despacho do Rui). O século XIX passeava na minha cabeça enquanto eu vi a noite chegar olhando as pedras do Valongo.